O que evitar quando alguém está passando por uma crise de ansiedade?

Uma pessoa próxima está passando por uma crise de ansiedade e você quer ajudar. Nesse momento, é comum surgir a dúvida: o que dizer e, principalmente, o que evitar durante uma crise de ansiedade?

Na tentativa de tranquilizar, familiares, amigos ou colegas podem dizer frases como “calma”, “isso não é nada” ou “pare de pensar nisso”. Embora geralmente sejam ditas com boa intenção, essas respostas podem fazer a pessoa se sentir incompreendida, pressionada ou ainda mais preocupada com aquilo que está acontecendo.

Também é possível que quem esteja acompanhando a situação fique assustado com manifestações como respiração acelerada, tremores, sensação de falta de ar, coração acelerado, tontura, tensão ou medo intenso.

Por isso, ajudar não significa necessariamente encontrar as palavras perfeitas ou conseguir interromper imediatamente a crise.

Neste artigo, você vai entender o que evitar durante uma crise de ansiedade, quais atitudes podem dificultar esse momento, como oferecer apoio de maneira mais acolhedora e quando é importante considerar ajuda profissional.

O que pode acontecer durante uma crise de ansiedade?

A ansiedade pode se manifestar tanto emocionalmente quanto fisicamente.

Durante momentos de ansiedade intensa, algumas pessoas podem experimentar:

  • coração acelerado;
  • alterações na respiração;
  • tremores;
  • suor;
  • tensão muscular;
  • tontura;
  • náusea ou desconforto gastrointestinal;
  • sensação de aperto no peito;
  • dificuldade para organizar os pensamentos;
  • medo intenso;
  • sensação de perda de controle;
  • necessidade de sair de determinada situação.

A experiência não é igual para todas as pessoas. A intensidade, a duração e as manifestações podem variar.

Além disso, é importante não presumir automaticamente que todo sintoma físico seja provocado pela ansiedade. Sintomas novos, intensos, persistentes ou preocupantes precisam de avaliação adequada.

Para compreender melhor como a ansiedade pode se manifestar fisicamente, leia também Sintomas físicos da ansiedade.

O que evitar durante uma crise de ansiedade?

Quando alguém que conhecemos está sofrendo, a vontade de fazer alguma coisa imediatamente é compreensível.

Entretanto, algumas tentativas de ajudar podem acabar aumentando a sensação de pressão ou incompreensão. Por isso, compreender o que evitar durante uma crise de ansiedade também é uma forma de oferecer apoio com mais cuidado.

Veja algumas atitudes que merecem atenção.

1. Evite dizer “calma”

“Calma” talvez seja uma das primeiras palavras que surgem quando vemos alguém muito ansioso.

O problema é que, durante uma crise, a pessoa pode não conseguir simplesmente decidir ficar calma.

Dependendo da situação, ouvir repetidamente:

“Calma.”

“Você precisa se acalmar.”

“É só ficar tranquilo.”

pode acrescentar uma nova preocupação: a sensação de que ela deveria estar conseguindo controlar aquilo que sente, mas não está conseguindo.

Em vez de exigir que a ansiedade desapareça, pode ser mais acolhedor demonstrar presença e disponibilidade.

2. Não diga que “isso não é nada”

Aquilo que parece pequeno para quem está observando pode estar sendo experimentado de maneira muito intensa pela pessoa ansiosa.

Frases como:

“Isso não é nada.”

“Você está exagerando.”

“Não tem motivo para ficar assim.”

podem transmitir a impressão de que a experiência da pessoa não é legítima ou importante.

Acolher não significa concordar com todas as interpretações ou concluir que existe realmente um perigo.

Significa reconhecer que o sofrimento está acontecendo naquele momento.

3. Evite mandar a pessoa parar de pensar

Durante uma crise de ansiedade, pensamentos preocupantes podem aparecer de maneira rápida e repetitiva.

Por isso, orientações como:

“Pare de pensar nisso.”

“Tire isso da cabeça.”

“Pense em outra coisa.”

nem sempre são possíveis de colocar em prática naquele momento.

Além disso, a pessoa pode interpretar a dificuldade de interromper os pensamentos como mais uma evidência de que perdeu o controle.

Em vez de exigir que determinados pensamentos desapareçam, pode ser mais útil ajudá-la a atravessar aquele momento com menos pressão.

4. Não faça muitas perguntas de uma só vez

Quando alguém está muito ansioso, pode existir dificuldade para organizar pensamentos e responder perguntas.

Uma sequência como:

“O que aconteceu?”

“Por que você está assim?”

“Foi alguma coisa que alguém falou?”

“Está sentindo alguma coisa?”

“Quer ir embora?”

“Quer que eu chame alguém?”

pode aumentar a sobrecarga.

Perguntas simples e feitas uma de cada vez tendem a facilitar a comunicação.

Também é importante permitir algum silêncio. Nem todo espaço precisa ser imediatamente preenchido por perguntas ou orientações.

5. Evite exigir uma explicação naquele momento

Nem sempre a pessoa sabe explicar por que está ansiosa.

Em alguns casos, existe uma situação claramente identificável. Em outros, as manifestações podem surgir antes mesmo de a pessoa conseguir organizar aquilo que está acontecendo.

Perguntar insistentemente “mas por quê?” pode fazer com que ela sinta que precisa encontrar uma justificativa para o próprio sofrimento.

A compreensão sobre possíveis gatilhos, preocupações e padrões pode acontecer posteriormente, inclusive em um processo de psicoterapia.

6. Não faça comparações

Frases como:

“Todo mundo passa por problemas.”

“Eu também fico ansioso e consigo controlar.”

“Fulano passou por coisa pior.”

podem ser ditas na tentativa de colocar a situação em perspectiva.

Porém, comparar sofrimentos raramente ajuda alguém durante um momento de ansiedade intensa.

Cada pessoa possui uma história, recursos emocionais, circunstâncias e formas próprias de reagir às situações.

7. Evite transformar o momento em uma discussão

Durante uma crise, provavelmente não é o melhor momento para discutir se a preocupação da pessoa é racional, proporcional ou justificada.

Imagine que alguém diga:

“Tenho certeza de que alguma coisa vai dar errado.”

Responder imediatamente:

“Isso não faz sentido e você sabe disso.”

pode transformar o momento em uma disputa sobre quem está interpretando a realidade corretamente.

É possível reconhecer a emoção sem confirmar a ameaça.

Por exemplo:

“Percebo que isso está deixando você muito preocupado.”

Essa resposta reconhece a experiência emocional sem afirmar que aquilo que a pessoa teme realmente acontecerá.

8. Não pressione a pessoa a falar

Algumas pessoas querem conversar quando estão ansiosas.

Outras podem precisar de mais silêncio e tempo.

Insistir para que alguém explique imediatamente tudo o que está sentindo pode aumentar a sensação de exposição ou pressão.

Uma alternativa pode ser comunicar disponibilidade:

“Estou aqui com você. Se quiser me dizer do que precisa, pode falar.”

Isso oferece espaço sem exigir uma resposta imediata.

9. Evite tomar todas as decisões pela pessoa sem necessidade

Quando alguém está vulnerável, é natural querer assumir o controle da situação.

Entretanto, quando for possível e seguro, pequenas escolhas podem ajudar a preservar a autonomia.

Em vez de decidir tudo, você pode perguntar de maneira simples:

“Você prefere ficar aqui ou ir para um lugar mais tranquilo?”

“Quer que eu fique aqui com você?”

“Tem alguém que você gostaria que eu chamasse?”

Naturalmente, situações que envolvam risco ou necessidade de atendimento de urgência exigem outras medidas.

10. Não exponha a pessoa

Uma crise de ansiedade pode ser uma experiência de grande vulnerabilidade.

Evite chamar várias pessoas sem necessidade, gravar, fotografar, comentar o episódio com terceiros ou transformar a situação em assunto público.

Quando possível, preservar a privacidade pode ajudar a diminuir a sensação de exposição.

Isso é especialmente importante em ambientes como escola, universidade ou trabalho.

11. Evite oferecer certezas impossíveis

Na tentativa de tranquilizar, é comum dizer:

“Nada vai acontecer.”

“Tenho certeza de que vai dar tudo certo.”

Embora essas frases possam aliviar momentaneamente, nem sempre podemos oferecer certeza absoluta sobre aquilo que acontecerá.

Em alguns padrões de ansiedade, a busca repetida por garantias também pode se tornar frequente.

A pessoa pergunta: “Tem certeza?”. Recebe uma confirmação, sente algum alívio e, pouco depois, a dúvida retorna e surge a necessidade de uma nova confirmação.

Em vez de tentar eliminar toda incerteza, pode ser mais útil oferecer presença:

“Vamos lidar com este momento juntos.”

12. Não force estratégias que a pessoa não deseja

Talvez você conheça uma técnica que costuma ajudá-lo quando está ansioso.

Isso não significa que ela funcionará da mesma maneira para outra pessoa.

Evite transformar sugestões em ordens:

“Respira desse jeito.”

“Fecha os olhos.”

“Você tem que fazer isso.”

Se for apropriado, uma estratégia pode ser oferecida como possibilidade, respeitando a resposta e as necessidades daquela pessoa.

Então, como ajudar alguém durante uma crise de ansiedade?

Depois de compreender o que evitar durante uma crise de ansiedade, surge outra pergunta: o que fazer para ajudar alguém que está vivendo esse momento?

Não existe uma única resposta que funcione para todas as pessoas e situações.

Algumas atitudes, entretanto, podem favorecer um ambiente mais acolhedor.

Mantenha uma comunicação simples

Durante momentos de ansiedade intensa, frases curtas e claras podem ser mais fáceis de compreender.

Você pode perguntar:

“Como posso ajudar agora?”

ou:

“Você prefere que eu fique aqui com você?”

Não é necessário falar continuamente.

Escute sem julgar

Caso a pessoa queira conversar, tente compreender antes de oferecer soluções.

Escutar não significa concordar com todas as conclusões.

Significa permitir que a pessoa expresse aquilo que está vivendo sem precisar imediatamente se defender, justificar ou corrigir suas emoções.

Reduza estímulos quando isso for possível

Dependendo do contexto e da preferência da pessoa, um ambiente com muitas pessoas, barulho ou excesso de estímulos pode aumentar o desconforto.

Perguntar se ela prefere ir para um local mais tranquilo pode ser uma possibilidade.

Respeite o ritmo da pessoa

Algumas pessoas conseguem conversar rapidamente sobre o que aconteceu. Outras precisam de tempo.

O fato de alguém não querer falar naquele momento não significa necessariamente que não precise ou não queira apoio.

Para conhecer outras orientações sobre esses episódios, leia Crise de ansiedade: o que fazer?

Crise de ansiedade e crise de pânico são a mesma coisa?

Os termos podem ser utilizados de maneiras diferentes no cotidiano.

Uma experiência de ansiedade intensa pode envolver manifestações físicas e emocionais importantes, enquanto ataques de pânico possuem características clínicas específicas que precisam ser avaliadas adequadamente.

Por isso, não é recomendável tentar estabelecer um diagnóstico durante o episódio.

Se crises são recorrentes ou provocam sofrimento significativo, uma avaliação profissional pode ajudar a compreender melhor o que está acontecendo.

Quando os sintomas físicos precisam de atenção?

Ansiedade pode estar associada a diferentes manifestações físicas, mas isso não significa que qualquer sintoma deva ser automaticamente interpretado como ansiedade.

Especialmente quando os sintomas são novos, intensos, diferentes do habitual ou preocupantes, é importante considerar avaliação médica.

Em situações de possível emergência, procure atendimento de urgência.

Essa cautela é particularmente importante porque sintomas físicos podem ter diferentes causas e não é adequado estabelecer a origem apenas pela aparência do episódio.

O que fazer depois que a crise passar?

Depois que o momento de maior intensidade diminui, pode existir espaço para conversar sobre o que aconteceu.

Sem transformar a conversa em interrogatório, algumas perguntas podem ajudar:

“Como você está agora?”

“Você percebe alguma coisa que ajudou naquele momento?”

“Tem alguma coisa que prefere que eu faça diferente se isso acontecer novamente?”

Também pode ser útil observar se as crises estão se tornando recorrentes ou se a ansiedade está interferindo progressivamente na rotina.

Quando isso acontece, procurar acompanhamento psicológico pode ser um passo para compreender melhor essas experiências.

Quando procurar ajuda psicológica?

Uma crise isolada não permite concluir, por si só, que exista um transtorno de ansiedade.

Entretanto, pode ser importante considerar acompanhamento quando a ansiedade:

  • ocorre com frequência;
  • provoca sofrimento significativo;
  • interfere no trabalho ou nos estudos;
  • prejudica o sono;
  • afeta os relacionamentos;
  • provoca evitação frequente;
  • limita atividades importantes;
  • está associada a preocupação excessiva;
  • envolve crises recorrentes;
  • interfere na qualidade de vida.

Para entender outros sinais que podem indicar a necessidade de acompanhamento, leia Quando procurar um psicólogo?

Você também pode conhecer mais sobre terapia para ansiedade e sobre como o acompanhamento psicológico pode contribuir para a compreensão dos fatores relacionados à ansiedade.

Se você ainda tem dúvidas sobre quando a ansiedade ultrapassa as preocupações esperadas do cotidiano, leia também Como saber se a ansiedade deixou de ser normal?

Como a psicoterapia pode ajudar quem apresenta crises de ansiedade?

A psicoterapia oferece um espaço para compreender de maneira individualizada aquilo que está acontecendo.

Ao longo do acompanhamento, podem ser explorados aspectos como situações associadas às crises, pensamentos, emoções, comportamentos, relações, experiências de vida e formas utilizadas para lidar com a ansiedade.

Não existe uma experiência de ansiedade idêntica à outra. Por isso, o processo terapêutico considera a história, o contexto e as necessidades de cada pessoa.

Quando a ansiedade aparece na infância ou adolescência, a forma de perceber e comunicar o sofrimento também merece atenção. Para aprofundar esse assunto, leia Como conversar com crianças e adolescentes sobre ansiedade.

Perguntas frequentes sobre o que evitar durante uma crise de ansiedade

O que não dizer para uma pessoa durante uma crise de ansiedade?

Evite frases que minimizem ou exijam controle imediato, como “isso não é nada”, “pare de pensar nisso”, “você precisa se acalmar” ou “não tem motivo para ficar assim”.

É mais útil reconhecer que a pessoa está passando por um momento difícil e perguntar, de maneira simples, como você pode ajudar.

Devo mandar a pessoa respirar fundo durante uma crise de ansiedade?

Evite transformar qualquer técnica em uma ordem. Estratégias que ajudam uma pessoa podem não ser adequadas para outra.

Se quiser sugerir alguma ação, apresente-a como uma possibilidade e observe como a pessoa responde.

Devo perguntar por que a pessoa está tendo uma crise?

Você pode perguntar o que aconteceu, mas não é necessário exigir uma explicação naquele momento.

Durante uma crise, a pessoa pode ter dificuldade para organizar pensamentos ou mesmo não identificar claramente aquilo que desencadeou o episódio.

Posso deixar uma pessoa sozinha durante uma crise de ansiedade?

Isso depende da situação, das condições da pessoa e do que ela comunica. Perguntar se prefere companhia pode ser mais adequado do que presumir.

Se houver risco à segurança, sintomas preocupantes ou possível emergência, procure ajuda apropriada.

Como acalmar alguém com crise de ansiedade?

Não existe uma frase ou técnica universal capaz de interromper imediatamente uma crise.

Manter uma comunicação tranquila, reduzir pressões, escutar, respeitar o ritmo da pessoa e perguntar do que ela precisa podem ser formas de oferecer apoio.

Quando uma crise de ansiedade é uma emergência?

Sintomas intensos ou preocupantes não devem ser automaticamente atribuídos à ansiedade, especialmente quando são novos ou diferentes do habitual.

Diante de possível emergência médica ou risco à segurança da pessoa, procure atendimento de urgência.

A pessoa deve procurar psicoterapia depois de uma crise?

Uma crise isolada não determina a necessidade de psicoterapia nem estabelece um diagnóstico.

Porém, quando episódios se repetem, provocam sofrimento ou passam a interferir na rotina e na qualidade de vida, uma avaliação psicológica pode ajudar a compreender o que está acontecendo.

Acolher não significa ter todas as respostas

Acompanhar alguém durante uma crise de ansiedade pode ser difícil também para quem está tentando ajudar.

Você não precisa encontrar uma frase perfeita nem resolver imediatamente aquilo que a pessoa está sentindo.

Em muitos momentos, evitar julgamentos, comparações, cobranças e tentativas de controlar rapidamente a experiência já pode tornar a situação menos difícil.

Acolher significa reconhecer que existe sofrimento e oferecer presença dentro dos limites possíveis.

Quando as crises são recorrentes ou a ansiedade passa a interferir significativamente na vida, o acompanhamento profissional pode ajudar a compreender essas experiências de maneira mais ampla.

Psicoterapia para ansiedade em Porto Alegre e online

Compreender o que evitar durante uma crise de ansiedade pode ajudar familiares, amigos e outras pessoas próximas a oferecer presença e apoio sem aumentar desnecessariamente a pressão daquele momento.

Dania Saute realiza atendimento psicológico presencial em Porto Alegre e psicoterapia online.

Para saber mais sobre o acompanhamento psicológico e como funciona o primeiro contato, acesse Consulta.

Você também pode conhecer a Abordagem utilizada no acompanhamento psicológico.

Os atendimentos são destinados a diferentes fases da vida:

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Dania Saute

CRP 07/14081

Atua como psicóloga e psicoterapeuta há mais de 22 anos.

Mesmo que você não saiba exatamente o que está sentindo, a terapia pode te ajudar a entender e nomear suas emoções, auxiliar na resolução de conflitos emocionais e fornecer ferramentas para lidar melhor com suas dificuldades.